sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Só a minha amiga



Você não aceita que eu

Te chame de amor

Diz que não sente nada por mim

Pra eu entender

Que é coisa da minha cabeça

Que é tudo ilusão

Mas na madrugada, na solidão,

Liga me dizendo preciso te ver


E quando me encontra

Seus olhos brilham demais

Incrível, mas sinto que em mim

Encontras a paz


Por mais que você queira ser

Só a minha amiga,

Seus olhos te traem,

Aos poucos te obrigam

A admitir que existe algo mais


Amiga não beija assim

Me abraçando me envolvendo

Amiga não fica ofegante

Amiga não fica tremendo

Amiga não fica boba,

Quando recebe uma flor,

Amiga não é desse jeito

Amiga não faz amor

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Quando apenas uma palavrinha salva aquele amor todo

Não há mais espaço para carinho, para conversarem, para um filme agarradinhas no sofá. Sexo? Ficou em décimo plano. Faz tempo. Tudo é desculpa para não querer. Porque está frio, porque estou cansada, porque estou preocupada, porque estou sem dinheiro, porque estou menstruada, porque minha menstruação acabou de acabar, porque o céu é azul e porque eu não estou com vontade mesmo. Seu coração anda apertado, está mais que óbvio que alguma coisa está errada, mas nem tempo (ou vontade por parte da sua companheira) há para “discutirem a relação”.


Aquela “vozinha” interior já deixou de sussurrar. Agora ela grita desesperada: faça alguma coisa! E você começa a mudar seu comportamento. Insegura, seu ciúme aumenta em escala geométrica.


- Poxa, você anda muito ciumentinha ultimamente – ela reclama, sem perceber que este é o alerta vermelho que precede a crise no relacionamento.


O ciúme foi um subterfúgio que sua mente encontrou para dar vazão à insatisfação que permeia sua vida a duas. Você está se sentindo abandonada dentro da relação, diante da ausência da sua namorada. Ela anda tão distante que nem percebe que você tem chorado baixinho todas as noites antes de dormir.

- Será que você não vê? Será que não percebe? Eu estou sofrendo, por favor, olhe para mim! - você pensa todas as vezes que olha para ela, sem coragem de dizer como está se sentindo. Além de distante, ela anda agressiva e arredia e você quer evitar confrontos a todo custo.


E aquela sensação de que está construindo um castelo na areia não pára de invadir você. De repente, o medo de errar mais uma vez te paralisa e faz questionar se vale à pena seguir em frente. Você não suportaria mais uma decepção amorosa. Ela não vê, não ouve, não sente, mas o seu medo de perdê-la é tão real que quase pára seu coração que dói tanto, que você já até desejou que ele parasse de verdade e levasse a dor embora de uma vez.

Impotente, você permite que a situação vá tomando rumo independente da sua vontade. E por falta de uma palavra, seu relacionamento acaba, assim, da noite para o dia. Por falta de uma palavra, seus sonhos, desejos, vontades, anseios e planos escorrem por entre os dedos das mãos, que estendidas, suplicavam por um momento de atenção.
As mãos estavam lá, mas faltou uma palavra. Uma palavra e você perdeu tudo, porque foi incapaz de dizer uma única palavra:


- Socorro.

PEDIR TEMPO

O "tempo" coloca o amor na berlinda, é quase um aviso prévio do término do relacionamento
A relação já não é a mesma. Brigas, discussões, desencontros. Sexo então, só de vez em quando. E olha lá. Nada mais flui como antes. Finalmente, uma das duas toma coragem e resolve conversar:

- Acho que preciso de um tempo.


Muitas vezes, essa frase soa como uma bomba atômica explodindo dentro do ouvido. Ficamos desnorteadas diante da dúvida que esta frase instaura no amor. "Preciso de um tempo" coloca o amor na berlinda, é quase um aviso prévio do término do relacionamento.


A questão é: existe tempo para o amor? Quando você "dá um tempo", não termina o relacionamento, o coloca em pausa até que decida o que quer fazer. Infelizmente, algumas pessoas usam o tal "tempo" quando estão interessadas em outras e querem vivenciar uma aventura sem abrir mão completamente da relação. É mais ou menos assim: vou experimentar com a outra, se não der certo, volto para você. Por isso o tempo assusta tanto. Porque não sabemos a real intenção de quem está ao nosso lado.


Em um cenário perfeito, o tempo serve para reordenar os sentimentos com o auxílio da razão. É quando deixamos que a racionalidade tome conta para que possamos decidir o rumo que a relação tomará dali por diante. No "tempo", deixamos o vácuo da nossa presença, que pode ser preenchido a qualquer momento por outra pessoa.


Deixamos também a possibilidade da nossa ausência ser sentida com intensidade. Sentir saudade, falta, nos desperta para a importância daquela pessoa em nossa vida.
Para algumas, o "tempo" soa como uma tomada de oxigênio para quem esteve muito tempo no fundo do oceano. Relações castradoras, sufocantes, nos fazem sentir "sem ar" e precisamos deste tempo para respirar, para nos sentirmos vivas. Mas, e se uma das duas (ou ambas) acaba se envolvendo em uma aventura durante o "tempo", será que a volta é possível? E se houver a volta, será que a relação será a mesma?


Será preciso muita maturidade (muita mesmo) para compreender e principalmente aceitar que durante o afastamento, ambas tiveram o aval para vivenciar experiências, desde que isto tenha sido acordado no momento da "pseudo-separação", claro.


Aceitar é uma condição indispensável para a sobrevivência do casal. O "não aceitar" provocará uma fissura irreparável na relação e sempre que vocês discutirem, isso virá à tona. A insegurança, a incerteza, serão fantasmas eternos perseguindo cada passo em direção ao futuro.A decisão de "pedir um tempo" é séria e deve ser pensada e repensada antes de verbalizada.


Cabem as perguntas antes de decidir:


- Quais as razões que nos levaram a "pedir um tempo"?- Será que temos maturidade para passar por este "tempo"?- Se ela se envolver com alguém, eu irei aceitar?- Se eu me envolver com alguém, ela irá aceitar?- Será que, já que colocamos o amor em prova, o melhor não seria a separação ao invés do "tempo"? A quem estamos querendo enganar?
Já diz o ditado: "o tempo é senhor da razão, mas também do esquecimento".


É uma loteria. Quem vai arriscar?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Tanto insisto, que desisto!!


Por que insistimos em algo que já mostrou desde o princípio que não vai dar certo?

O namoro já começou meio "capenga". Da parte dela, claro, pois você já estava mais que apaixonada. Com dificuldade de "enterrar" a história com a ex, ela nunca conseguiu envolver-se complemente. Mas você insiste, porque gosta dela.

A relação continua, a "trancos e barrancos". Muitas brigas, desentendimentos, falsas promessas. Você até tentou terminar algumas vezes, mas ela sempre conseguiu convencê-la que irá mudar. Durante uma ou duas semanas, ela realmente se volta completamente para você, tratando-a como uma rainha, fazendo suas vontades, no entanto, sempre dura pouco.

Mas você insiste, pois acredita que, como um passe de mágica, ela irá amá-la da mesma maneira que você a ama. Passam-se os meses, os anos e a história continua a mesma. E você insistindo, insistindo, insistindo...

Finalmente você se dá conta que não é "água mole em pedra dura" e decide dar um basta nessa novela mexicana. Tanto insiste, que desiste.

Por que insistimos em algo que já mostrou desde o princípio que não vai dar certo? Acreditamos sempre que a pessoa irá mudar, que a situação irá mudar, mas, sejamos honestas, quantas pessoas realmente mudam? Podemos, efetivamente, mudar alguém?

Por amor, nos deixamos humilhar, maltratar, diminuir. Continuamos a insistir, pois aprendemos desde cedo que por amor, vale tudo. Ora, isso é realmente amor? Acreditar no amor é lindo. Acreditar que devemos lutar até as últimas conseqüências por alguém, é lindo. Acreditar que alguém vai mudar porque assim queremos, é burrice.

Para entender, é simples. Responda à pergunta: você mudaria simplesmente porque alguém quer? Acredito que a resposta seja não. Ninguém muda sem que o desejo honesto de mudança parta do seu interior.

Mudar não é fácil e requer muita força. O medo da mudança é tão paralisante que preferimos estagnar, a enfrentar a dor de sair do lugar. Muitas pessoas preferem perder amores, empregos, amigos a encarar uma revolução interna. Mexer e remexer dentro si, livrar-se de sentimentos antigos, encarar situações que preferimos ignorar, exige muita coragem. E nem sempre o amor nos dá essa força.

Podemos amar loucamente alguém e ainda assim, perder esse amor é mais fácil que mudar. Ao identificar a necessidade de mudança na relação, reflita: minha parceira está preparada para mudar? Eu estou preparada para mudar? Como eu poderia ajudá-la a mudar?

Insista, sempre, mas não permita que essa insistência seja prejudicial. O amor pode quase tudo. O que ele não pode, é machucar você.

Loja de Departamentos de Mulheres Perfeitas



Não entendo como ainda procuram amor como se estivessem procurando um produto na loja:
- Boa tarde, posso ajudá-la?
- Sim, estou procurando uma mulher branca, magra, inteligente, linda, solteira, sem vícios e estabilizada financeiramente.
- Pois não, procure no corredor 3, a sua direita.
(Cinco minutos depois)
- Não encontrei o que estava procurando.
- Entendo, senhora. É que mulheres com estas características estão em falta no mercado. Não serve uma negra? Tente o corredor 4.
- Negra? Não, obrigada. Será que não tem nenhuma branca no estoque?
- Vou estar verificando, senhora, só um momento por favor.
- A senhora está com sorte, temos uma devolução que acaba de chegar.
- Ótimo, vou levar.
(Cinco dias depois)
- Onde é o departamento de devolução?
- No segundo andar, sala 4.
- Oi, boa tarde, vim devolver uma mulher que adquiri na semana passada.
- Qual o motivo da devolução?
- Ela não me ama apesar de eu ser linda, inteligente e rica.
- Sinto muito, senhora, mas beleza, inteligência e riqueza não são garantia de amor.
- Como assim? Vocês disseram que o item tinha garantia!
- Sim, senhora, contra defeitos irreparáveis, mas não damos garantia de amor. Não garantimos amor para nenhuma mulher adquirida em nossa loja.
- Eu não entendo, ela é perfeita, tem tudo o que eu sonhei em uma mulher!
- Compreendo senhora, mas infelizmente não garantimos amor. A senhora já tentou na seção "Todas as Outras Mulheres"?
- Não, que seção é essa?
- É o departamento onde ficam todas as outras mulheres que não são brancas, magras, inteligentes, lindas, solteiras, sem vícios e estabilizadas financeiramente. Essas mulheres têm algumas dessas características, mas não todas ao mesmo tempo.
- Hummm, não sei. Eu idealizei uma mulher minha vida inteira, não sei se conseguirei me relacionar com alguém que não seja perfeita.
- Sinto muito senhora, mas perfeição não é garantia de amor.
- Poxa, mas você não colabora. Eu quero encontrar amor!
- Tente não procurar, senhora. Deixe que ele a encontre. Permita-se ser encontrada pelo amor de alguém que não é perfeito.
- Ah, entendi! Eu até encontro uma mulher perfeita, mas vocês não dão garantia de amor. É isso?
- Exatamente, senhora.
- E para encontrar amor eu preciso me permitir ser amada, por qualquer pessoa, certo?
- Exatamente, senhora.
- Muito obrigada pela ajuda.
- A Loja de Departamentos Mulheres Perfeitas agradece a preferência.

Texto de Nina Lopes

Negócios, negócios, relacionamento à parte?


Se sua companheira ganha muuuuito mais que você, isso fará diferença quando vivem juntas, não há como fugir.

Vivemos em uma sociedade capitalista (e consumista) onde o dinheiro rege qualquer tipo de relacionamento. Frio? Pode ser, mas não é a pura verdade? Falar sobre dinheiro, às vezes, é muito mais difícil do que falar sobre sexo, a máxima do pudor na nossa sociedade, e dinheiro versus relacionamento não escapa a esta regra. Se um amigo ganha muuuuuito mais que você, certamente frequentará lugares e círculos diferentes dos seus e fatalmente você não poderá estar presente em todos os seus programas.

Se sua companheira ganha muuuuito mais que você, isso fará diferença quando vivem juntas e dividem as despesas ou até mesmo quando ainda namoram, pois, assim como o seu amigo, ela também frequenta círculos e lugares diferentes dos seus. A menos que você esteja disposta a ser "sustentada" por ela, essa situação pode ser bastante desconfortável para ambas. Quando o assunto é grana, precisamos colocar os sentimentos de lado e pensar com a razão. Se deixarmos que a emoção tome conta, o prejuízo será grande para as duas. E não só financeiro.

Quem tem menos poder aquisitivo tende a sentir-se diminuída e dependente. É preciso muita maturidade para superar a barreira da competitividade e enxergar que relacionamento é parceria e não disputa. As perdas psicológicas também podem ser grandes se não forem bem administradas. Dinheiro geralmente está relacionado a poder e, infelizmente, também ao "valor" do próprio indivíduo. Quem ganha pouco "vale menos" do que quem ganha mais. Há também o "investimento" na relação. Uma das parceiras investe mais emocionalmente enquanto a outra, financeiramente. Para algumas pessoas, a dificuldade de demonstrar sentimento pode ser substituída pelo dinheiro. Ao pagar uma conta, comprar presentes, têm-se a sensação que se está demonstrando amor.

Nas relações homossexuais, o tipo de vida conjugal propicia a conveniência de se partilhar as despesas da casa. A relação onde o "marido" é provedor e a "esposa" a administradora do lar já não existe mais dentro do próprio meio heterossexual, que dirá entre os iguais. É necessário nos conscientizarmos que a saúde da relação depende de uma excelente "gestão doméstica" afinal, um relacionamento não deixa de ser, de uma certa maneira, uma "associação sem fins lucrativos" e precisa de uma boa administração para que flua com naturalidade. Uma das características marcantes desta era é o individualismo que, em uma medida certa, é inofensivo e até saudável. É importante que ambas mantenham a sua individualidade e autonomia financeira, embora dividam as contas no final do mês.

Abrir uma conta conjunta ou escolher uma das parceiras para administrar as despesas é uma boa saída. Comprar imóveis ou bens com valores cuja prestação será compartilhada exige um estudo mais demorado. Se uma das duas faltar, a outra terá condições de arcar sozinha com a despesa? Dinheiro também é energia. Se bem empregada, esta energia pode ser extremamente positiva, permitindo que ambas, em colaboração mútua, tenham uma vida confortável e feliz.

Texto de Nina Lopes