
Não há nada mais incômodo que descobrir que estamos sufocando alguém. De repente alguém que amamos nos pede uma distância porque nossa presença o(a) incomoda. Não trazemos mais alegria quando aparecemos. Em suma gostaríamos que gostássemos menos dele ou dela.
Quando disse que amar é estar sempre junto disse apenas parte da verdade. Porque, às vezes, a melhor maneira de alguém mostrar que ama de verdade é ficar longe e deixar o outro respirar. Na teoria é muito bonito. Na prática, é muito difícil. Mas é o único jeito de provar a quem quer que seja que nós respeitamos seu modo interior e seus pensamentos.
Serve para marido, serve para pais e filhos, serve para namorados e serve para amigos.
No momento em que alguém finalmente tem a coragem e acha o jeito certo de dizer: “NÃO ME FORCE. NÃO ME SUFOQUE, ESTÁ DEMAIS”, esta pessoa está dizendo: “ME AME DIREITO ANTES QUE EU ENJOE DE VOCÊ. SAIA UM POUCO E ME DÊ UM TEMPO DE MINHA VIDA SE NÃO QUISER ME PERDER”.
O pior é que, por mais inteligentes que sejamos, quando queremos alguém como filho ou filha, como esposo ou esposa, como namorado ou namorada ou como amiga, achamos que ele ou ela se enjoará do pai, da mãe, do marido, do namorado, da namorada e do amigo que a gente é. Acontece que as flores amam o sol e a chuva, mas o sol demais e chuva demais sufocam as flores.
Dá-se o mesmo com relação ao amor. Amar demais é errado. Fazer-se presente demais é sem dúvida uma prova de amor, mas uma prova errada de amor. Ninguém suporta ser amado demais. Somos todos como um bebê que se irrita quando ganha abraço e beijo em excesso.
Por isso que às vezes, a melhor maneira de provar que amamos é ficar quietos, tomar distância e descobrir que estamos passando da conta, sufocando. E não basta descobrir. É preciso ter forças para agir. Às vezes a gente quer bem de tal maneira que acaba tomando conta do espaço interior do outro. Pais fazem isso, mães sufocam, namorados sufocam, amigos sufocam. No fundo a gente tem medo de arriscar.
Por isso que às vezes, a melhor maneira de provar que amamos é ficar quietos, tomar distância e descobrir que estamos passando da conta, sufocando. E não basta descobrir. É preciso ter forças para agir. Às vezes a gente quer bem de tal maneira que acaba tomando conta do espaço interior do outro. Pais fazem isso, mães sufocam, namorados sufocam, amigos sufocam. No fundo a gente tem medo de arriscar.
Quando amamos demais, carregamos dentro de nós uma ilusão boba. FULANO PRECISA DE MIM, SEM MIM FULANO SE MACHUCARIA. Pode até ser verdade, mas no fundo, é medo de perder o lugar no coração dele ou dela.
Ninguém suporta ser tutelado a vida inteira. As crianças e os adolescentes crescem. E felizes de nós se alguém a quem amamos de verdade nos amar também de verdade, a ponto de, na hora da saudade, de desabafo, do segredo lindo, de erro que dói e machuca, escutarmos dele ou dela esta frase que enche a alma: “NÃO REPARTIRIA ISSO SENÃO COM VOCÊ, DE VOCÊ NÃO ESCONDO NADA, ONTEM PRECISEI DO SEU OUVIDO...”
Ninguém suporta ser tutelado a vida inteira. As crianças e os adolescentes crescem. E felizes de nós se alguém a quem amamos de verdade nos amar também de verdade, a ponto de, na hora da saudade, de desabafo, do segredo lindo, de erro que dói e machuca, escutarmos dele ou dela esta frase que enche a alma: “NÃO REPARTIRIA ISSO SENÃO COM VOCÊ, DE VOCÊ NÃO ESCONDO NADA, ONTEM PRECISEI DO SEU OUVIDO...”
Quantos pais ouviram isso? Quantos amigos, depois de muitos anos podem dizer que ainda ouvem isso? Quem sufoca continua amando, mas perde acesso ao coração. A maioria dos pais que soltam demais os filhos, ou pressionam com perguntas ou presença, perdem a confiança deles.Eles simplesmente não contam nada aos pais. Quando começam a esconder é porque receiam falar a verdade. Se nada escondem é porque não estão sufocados. De certo, quando exigimos que se confesses conosco e contem tudo, estamos ensinando, ou obrigando a mentir. Se eles nos amarem de verdade e se sentirem amados de verdade não mentirão. Sentirão vontade de contar. Mas tudo tem que ser na hora certa e no momento certo. Só a presença suave gera esse amor bonito.
Não pretendo ensinar isso a nenhum pai, amigo ou namorado. Eu mesmo nem sempre soube viver essa distância. Mas é uma reflexão. Amigos de verdade acertam suas distâncias. Quem ocupa espaço demais é carente demais. E quem é carente demais não ama direito. Felizmente somos reeducáveis. Nunca é tarde para aprender. Nem longe demais a ponto de machucarmos com nossa indiferença, nem perto demais a ponto de lhe tirarmos o direito de escolha. As distâncias do amor, desde que justas e suaves, é que tornam o amor bonito e cheio de perspectivas. Amor demais é amor errado. È o mesmo que remédio certo na dose errada.E quem disse que a medida do amor é amar sem medidas disse apenas um lado da verdade. Posso sentir um amor inesgotável por alguém, mas se o meu jeito de mostrar esse amor incomoda, preciso achar a medida. E isso só se rezando e dialogando. “QUE O JARDINEIRO NÃO SUFOQUE SUAS FLORES”


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