sexta-feira, 6 de novembro de 2009

ICM - Igreja da Comunidade Metropolitana



A Igreja da Comunidade Metropolitana é uma comunidade global que está derrubando muros e construindo esperança! Ao redor do mundo, a ICM molda a integração saudável da sexualidade e da espiritualidade para que gays, lésbicas, bissexuais, transsexuais, heterossexuais e questionadores possam viver com integridade como pessoas de fé.

O povo da ICM se reúne regularmente em comunidade com o objetivo de se fortalecer, de explorar com segurança seu relacionamento com Deus e com o outro, e de lutar por justiça e paz no mundo.

Somos uma comunidade de pessoas que compartilham do desejo de viver a mensagem de Jesus de forma a incluir, e não excluir; curar, e não ferir; pacificar, e não guerrear; encorajar, e não desanimar; libertar, e não aprisionar; incentivar a liberdade e criatividade de pensamento, e não exigir fé cega em credos religiosos. Buscamos amar o mundo como Deus o faz, seguindo o caminho de Jesus, sensíveis aos ventos do Espírito Santo, buscando discernir a Voz de Deus na tradição bíblica, e o mover do mesmo Deus no contexto de nossa cultura.

Somos uma igreja que reconhece a Jesus Cristo como libertador e salvador dos excluídos e testemunhamos fielmente Sua Palavra como a Verdade que liberta (Jo 8, 32 e 36).

A ICM foi fundada em 1968, nos EUA, pelo Reverendo Troy Perry, esta em mais de 30 paises do mundo e se estabelece agora no Brasil com igrejas e missões em várias cidades. Compreendemos que ela nasce antes no coração das pessoas que desejam ter um lugar saudável e seguro para adorar a Deus. Estamos ligados a FUICM (Fraternidade Universal das Igrejas da Comunidade Metropolitana) por meio da Região 6, que abrange toda a América Latina, e Sul dos EUA, e é coordenada pela Reverenda Bispa Darlene Garner.

Filme "Prayers for Bobby" - Orações para Bobby (2009)



Filme "Prayers for Bobby" – Orações para Bobby (2009)

Este é um filme baseado na história verídica de um jovem homossexual, que aos 20 anos suicida-se.

"Eu não posso deixar que ninguém saiba que eu não sou hétero. Isso seria tão humilhante. Meus amigos iriam me odiar, com certeza. Eles poderiam até me bater. Na minha família, já ouvi várias vezes eles falando que odeiam os gays, que Deus odeia os gays também. Isso realmente me apavora quando escuto minha família falando desse jeito, porque eles estão realmente falando de mim... Às vezes eu gostaria de desaparecer da face da Terra."

Estas palavras estão escritas no diário de Bobby Griffith, quando tinha 16 anos.

A sua mãe, “Mary Griffith”, interpretada por Sigourney Weaver, a senhora dos ELIEN, sabedora da sexualidade do filho acredita “curar” o filho com base na religião e terapias, para quatro anos depois (1979) Bobby lançar-se de uma ponte.

Um filme intenso, dramático, e que espelha ainda hoje a realidade de muitas e muitos jovens no mundo!

Mary após a morte do filho questiona-se a si e ao fundamentalismo religioso, redime-se da sua posição homofobica tornando-se uma defensora dos direitos GLBT.


Extraído do site da ICM Brasil

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

AMOR PLATÔNICO



Todos já ouvimos falar de amor platônico e presumimos que ele está relacionado com a filosofia de Platão.


O que é isso, exatamente?

O amor platônico é o mais incompreendido de todos os conceitos de Platão. As pessoas, que em sua maioria não conhecem a obra de Platão, pensam que amor platônico significa amor ascético ou assexuado. Isso não é verdade. Em O Banquete, Platão apresenta o amor sexual como um ato natural, mas com raízes infinitamente mais profundas.


No pensamento de Platão existe um princípio cósmico sobre o amor?

Sim. Para Platão o amor é um princípio cósmico. Ele afirmou que o amor é uma escada com sete degraus, que vão do amor por uma pessoa até o amor pelas realidades superiores do universo. Todo o livro O Banquete, sua mais importante obra sobre esse assunto, é dedicado ao amor em seus diversos aspectos. Ele diz que, mesmo que eu me apaixone por uma pessoa, atraído por qualidades, fixar-me exclusivamente nessa pessoa é permanecer no primeiro degrau de uma escada que possui muitos outros. O passo inicial nessa escada, para a maioria das pessoas, ocorre através do amor físico. Platão diz que o ser humano busca a imortalidade através da pessoa amada, por meio da procriação. Entretanto, fixar-se nesse primeiro degrau é permanecer parado, em comparação a tudo o que uma pessoa pode vir a ser.Isso não quer dizer que Platão negue o corpo ou o amor físico. Ele apenas afirma que, se eu deixar de ampliar esse relacionamento e não subir até os outros seis degraus, irei permanecer estagnado. Os passos seguintes serão um desdobramento natural da condição humana.


Aonde mais o amor pode levar? Como ele pode crescer até dimensões maiores?

O diálogo completo de O Banquete é a resposta de Platão a essa pergunta. No livro, diversas figuras da sociedade ateniense estão reunidas discutindo a natureza, o sentido e as implicações do amor. Elas fazem várias descrições de amor, todas unilaterais, embora não falsas, até chegar a vez de Sócrates. Uma das pessoas disse que o amor nos faz adotar atitudes nobres para sermos merecedores do amado. Outra afirmou que o amor é uma espécie de frenesi e loucura, e outros, como Aristófanes, classificaram-no como a busca da nossa outra metade. Você poderia perguntar como é que a nossa "outra metade" se extravia. Segundo Platão, Aristófanes disse que todas as pessoas têm corpos duplos e dupla face. Haveria três tipos de humanos no mundo. Na figura homem/homem, o corpo todo era formado por figuras masculinas. Um outro tipo seria composto por elementos femininos, e por último haveria o masculino/feminino.


Seria um ser andrógino?

Sim, uma figura andrógina, com uma metade feminina e outra masculina. Trata-se, na verdade, de uma fábula, um mito encantador, destinado a revelar um ponto muito profundo. Segundo Aristófanes, esses seres duplos cometeram transgressões contra os deuses; como castigo, foram divididos ao meio. Sob essa perspectiva, o amor é literalmente a busca da outra metade. Essa fábula tem implicações muito abrangentes em termos da metafísica e da ética de Platão. É um outro modo de afirmar que não somos seres completos, e que os movimentos do amor são uma busca de complemento.


Platão diz que o amor "é uma loucura que é dádiva divina, fonte das principais bênçãos concedidas ao homem."

Exatamente. Ele tem uma visão muito exaltada do amor entre os sexos e, na verdade, não quer que subestimemos o seu alcance e significado. Acho que ele emprega o termo loucura para se referir ao primeiro degrau, porque, sob a influência da paixão física, perdemos de vista perspectivas e prioridades. A alma anseia tanto pelo contato com a outra pessoa que perde o juízo. Quando você está apaixonado, é como se o universo estivesse concentrado na outra pessoa. Isso não é necessariamente falso. Platão diz que, em certo sentido, o universo realmente está nessa pessoa. Você só precisa transformar essa dimensão e ver não apenas a pessoa, mas o universo nela.


Mas, no primeiro nível da escada, esse seria apenas um tipo de amor com motivação pura ou incluiria também uma relação amorosa normal, com suas doses de motivação egoísta?

Essa é uma pergunta vital para compreender a ótica de Platão sobre o amor. Tudo o que ele disse em O Banquete - ao amar uma pessoa você está amando o universo e vice-versa - relaciona-se ao amor genuíno, sem egoísmo. Ele jamais apóia o relacionamento físico apenas como meio de obter prazer.


Seria correto dizer que, para Platão, o relacionamento sexual significa mais que um impulso instintivo, porque poderia colocar a pessoa na senda do amor autotranscendente?

Sim, mas com a ressalva que você acabou de levantar: desde que seja uma paixão genuína, carinhosa e abnegada. Em todos os diálogos de Platão, o uso do outro simplesmente para uma gratificação egoísta se dissocia dessa senda; é uma cilada, um perigo, não é amor e não levará a lugar algum. O amor platônico é tão amplo e universal que, embora comece como amor pela forma bela, termina como o amor pela própria beleza, um princípio eterno do universo. Você é levado, de um modo muito natural, a perceber que todas as formas belas são dignas de amor, se torna sensível a todas elas. Platão emprega constantemente o termo beleza; a beleza das idéias toma-se tão ou mais real que a beleza física.


Ao universalizar o conceito de beleza manifestada na forma, Platão a vincula ao amor?

Amor e beleza estão ligados. Você vê beleza quando está amando. À medida que progride, você sente por todas as formas belas a espécie de exaltação que experimentou quando se apaixonou pela primeira vez. Quando permite que o amor o leve para a frente, você sai do particular em direção ao múltiplo. Em seguida, você vê que a beleza da mente é mais maravilhosa que a beleza da forma. Platão afirma que você se apaixona pela qualidade da mente de uma pessoa mesmo que sua forma física não seja tão graciosa. Essa é uma progressão do concreto para o imaterial, sob a influência e inspiração do amor.


Esse é o passo número dois?

Não. O passo número dois é amar todas as formas físicas belas. O terceiro passo é amar a beleza da mente, independente da forma física à qual ela está associada.


E qual é o passo seguinte?

O quarto passo da escada do amor é a ética - o amor pelas práticas belas. Envolve integridade, justiça, bondade, consideração - características que também contêm beleza e impelem ao amor. É um passo mais abrangente e universal. Ele conduz ao degrau número cinco, que é o amor pelas instituições belas. Esse quinto estágio diz respeito ao modo como a sociedade funciona quando suas instituições estão em equilíbrio e harmonia. Trata-se de amor pelo governo, pela cultura e por tudo que a obra A Republica cita como exemplo de instituições belas. O bem comum é o interesse primordial, não o bem do indivíduo, do núcleo familiar ou mesmo da pequena comunidade. Desse ponto, a alma ascende para o sexto degrau da escada do amor. Ele é uma curva gigantesca para o alto, em direção ao universal e ao abstrato. A isso Platão chama "ciência", ou seja, conhecimento e compreensão. No sexto passo você se apaixona pela ciência, que articula não só as leis que governam o indivíduo, a família e a sociedade, mas algo que transcende o meio local. A beleza da ciência é universal, como o Teorema de Pitágoras.


Ou como a biologia da Terra?

Exatamente. E como o universo de Einstein, que inclui o cosmo inteiro. A ciência apresenta beleza, harmonia e ordem. Você pode se apaixonar por isso tão profundamente quanto por um homem ou por uma mulher. Os grandes cientistas como Einstein, Kepler, Galileu e Newton afirmaram que, ao articularem as leis do universo, estavam estudando a lógica, a ordem e a beleza da mente de Deus. Giordano Bruno, filósofo e cosmólogo executado pela Inquisição em l600, preferiu ser queimado na fogueira a negar seu insight científico de um universo infinito e interligado. Ele manifestou uma paixão tão profunda pelas leis do universo que defendeu sua visão assim como um homem defenderia a mulher amada de uma agressão. Preferiu a morte à negação desse amor. Isso é amor verdadeiro.


E o sétimo degrau?

Sócrates fala sobre ele em O Banquete. Você sabe que algo importante está para ser dito quando ele começa a falar, alegando que aprendeu tudo com uma sacerdotisa sagrada chamada Diotima. Nesse ponto, Platão prepara a audiência para esperar algo importante e profundo, e não nos desaponta. Diotima afirma existirem os mistérios menores e maiores do amor. Os mistérios menores são os quatro primeiros degraus. Mas, ao explicar como ascendemos na escada, ela se detém; há uma espécie de momento solene no discurso. Ela diz a Sócrates: "Esforça-te, por favor, por estar o mais atento possível". Sempre que um personagem de Platão diz isso, você sabe que ele vai articular um ensinamento esotérico. É um momento cercado de grande solenidade, onde o autor chama a atenção para algo importante. Os mistérios maiores do amor (os degraus cinco, seis e sete) evoluem na direção da visão universal. Diotima afirma que, entre os passos seis e sete, passamos quase imperceptivelmente do mundano para as realidades superiores do universo. Platão emprega a palavra subitamente. Depois de passarmos por todos os degraus, ocorre, no sétimo passo, uma diferença de gradação; subitamente você vê não a manifestação da beleza, mas a beleza em si. Esse é o ponto alto dos sagrados mistérios. O amor se expressa como a manifestação eterna da beleza em si. Você se apaixona pela essência que torna belas todas as coisas. Segundo o discurso de Diotima, em O Banquete, "apenas em tal comunhão, mirando a beleza com os olhos da mente, o homem será capaz de suscitar não projeções de beleza, mas realidades (pois ele entronizou não uma imagem, mas uma realidade), produzindo e nutrindo a verdadeira virtude para tornar-se o amigo de Deus, um ser imortal".


Isso soa como um contato visionário com uma realidade ou verdade suprema.É uma espécie de visão.

É como ver o sol na alegoria da caverna, em A República. Depois de viver de costas para o sol e ver apenas sombras na parede, subitamente você vê a luz! É uma fusão com a forma amada, a integralidade; é uma espécie de imortalidade. O amor mundano e físico é o início da busca da totalidade. O final é a visão do que está por trás do universo, do que o faz girar. Portanto, no sétimo degrau da escada do amor, apaixonar-se é unir-se à origem do ser. É uma espécie de doutrina mística do amor, e esse é o amor platônico. Trata-se de um ponto de vista comovente e inspirador, que transcende enormemente a idéia de ficar de mãos dadas com alguém.


Platão diria que o amor está no centro da vida universal?

Sim. Em O Fedro, ele utiliza uma outra metáfora para mostrar essa mesma idéia de amor, oscilando entre o mortal e o imortal, entre o específico e o universal, entre o concreto e o abstrato. Nessa obra, os amantes são impelidos a buscar regiões mais elevadas, formas mais puras de amor. Por isso, criam asas. As asas permitem que eles voem até a borda do universo, onde eles vêem as formas eternas, ou seja, a essência das coisas temporais. Em seguida Platão expõe outra metáfora: a da carruagem puxada por dois cavalos, um branco e outro negro. O garanhão negro representa o amor egoísta, quando uma pessoa usa a outra para a autogratificação. Uma pessoa comandada pelo cavalo negro clama pela satisfação imediata dos seus desejos, sempre orientada pelo egoísmo. Se esse garanhão sombrio governa, ele perturba o equilíbrio da manada. Esse tipo de amor não conduz ao amor universal. São afirmações como essas que revelam a tendência ascética de Platão. Ele adverte contra o tipo de amor excessivo, desequilibrado e autocentrado. Isso não é amor, em absoluto; é apenas amor-próprio. Mas se a pessoa ama verdadeiramente, o cavalo branco ajuda a governar, de forma que todo o grupo - o cavalo branco, o cavalo negro e o cocheiro - possa ascender em direção à "borda do céu" e visualizar as verdades eternas. O cavalo branco fornece equilíbrio com seu bom senso, integridade, altruísmo e interesse pelo outro.


O cavalo negro seria um símbolo dos sentidos físicos, enquanto o branco seria aquilo que está além dos sentidos?

Essa é a idéia, em termos gerais.


E o condutor do grupo? O que ele simboliza?

Ele representa a alma e a visão da alma, o bom senso, a pureza, o desejar espiritual. O amor pode ser a própria carruagem, o veículo para nos conduzir a uma nova dimensão do ser e proporcionar vislumbres de outros estados de consciência, no próprio ato do amor. Atualmente poderíamos dizer que Platão sustenta uma união sexual intensa e profunda como a antecipação do êxtase da união com a realidade espiritual divina que está por trás do universo. É a imortalidade do homem simples. É uma manifestação, mesmo que reduzida, da união divina. Por isso, os seres humanos certamente valorizam a experiência do amor e do sexo. Por meio de um amor sexual intenso, cada um de nós experimenta por breves momentos a autotranscendência e a abnegação.No degrau número sete da escada, essa autotranscendência, que era breve e momentânea, transforma-se no estado natural onde passamos a habitar o tempo inteiro. O "eu" desapareceu no segundo plano. No primeiro plano passaram a brilhar as verdades eternas, o bem e a beleza, entendidos como indissolúveis e evidentes para a alma capaz de vê-los.

AS DISTÂNCIAS DO AMOR



Não há nada mais incômodo que descobrir que estamos sufocando alguém. De repente alguém que amamos nos pede uma distância porque nossa presença o(a) incomoda. Não trazemos mais alegria quando aparecemos. Em suma gostaríamos que gostássemos menos dele ou dela.
Quando disse que amar é estar sempre junto disse apenas parte da verdade. Porque, às vezes, a melhor maneira de alguém mostrar que ama de verdade é ficar longe e deixar o outro respirar. Na teoria é muito bonito. Na prática, é muito difícil. Mas é o único jeito de provar a quem quer que seja que nós respeitamos seu modo interior e seus pensamentos.
Serve para marido, serve para pais e filhos, serve para namorados e serve para amigos.
No momento em que alguém finalmente tem a coragem e acha o jeito certo de dizer: “NÃO ME FORCE. NÃO ME SUFOQUE, ESTÁ DEMAIS”, esta pessoa está dizendo: “ME AME DIREITO ANTES QUE EU ENJOE DE VOCÊ. SAIA UM POUCO E ME DÊ UM TEMPO DE MINHA VIDA SE NÃO QUISER ME PERDER”.

O pior é que, por mais inteligentes que sejamos, quando queremos alguém como filho ou filha, como esposo ou esposa, como namorado ou namorada ou como amiga, achamos que ele ou ela se enjoará do pai, da mãe, do marido, do namorado, da namorada e do amigo que a gente é. Acontece que as flores amam o sol e a chuva, mas o sol demais e chuva demais sufocam as flores.

Dá-se o mesmo com relação ao amor. Amar demais é errado. Fazer-se presente demais é sem dúvida uma prova de amor, mas uma prova errada de amor. Ninguém suporta ser amado demais. Somos todos como um bebê que se irrita quando ganha abraço e beijo em excesso.
Por isso que às vezes, a melhor maneira de provar que amamos é ficar quietos, tomar distância e descobrir que estamos passando da conta, sufocando. E não basta descobrir. É preciso ter forças para agir. Às vezes a gente quer bem de tal maneira que acaba tomando conta do espaço interior do outro. Pais fazem isso, mães sufocam, namorados sufocam, amigos sufocam. No fundo a gente tem medo de arriscar.

Quando amamos demais, carregamos dentro de nós uma ilusão boba. FULANO PRECISA DE MIM, SEM MIM FULANO SE MACHUCARIA. Pode até ser verdade, mas no fundo, é medo de perder o lugar no coração dele ou dela.
Ninguém suporta ser tutelado a vida inteira. As crianças e os adolescentes crescem. E felizes de nós se alguém a quem amamos de verdade nos amar também de verdade, a ponto de, na hora da saudade, de desabafo, do segredo lindo, de erro que dói e machuca, escutarmos dele ou dela esta frase que enche a alma: “NÃO REPARTIRIA ISSO SENÃO COM VOCÊ, DE VOCÊ NÃO ESCONDO NADA, ONTEM PRECISEI DO SEU OUVIDO...”

Quantos pais ouviram isso? Quantos amigos, depois de muitos anos podem dizer que ainda ouvem isso? Quem sufoca continua amando, mas perde acesso ao coração. A maioria dos pais que soltam demais os filhos, ou pressionam com perguntas ou presença, perdem a confiança deles.Eles simplesmente não contam nada aos pais. Quando começam a esconder é porque receiam falar a verdade. Se nada escondem é porque não estão sufocados. De certo, quando exigimos que se confesses conosco e contem tudo, estamos ensinando, ou obrigando a mentir. Se eles nos amarem de verdade e se sentirem amados de verdade não mentirão. Sentirão vontade de contar. Mas tudo tem que ser na hora certa e no momento certo. Só a presença suave gera esse amor bonito.

Não pretendo ensinar isso a nenhum pai, amigo ou namorado. Eu mesmo nem sempre soube viver essa distância. Mas é uma reflexão. Amigos de verdade acertam suas distâncias. Quem ocupa espaço demais é carente demais. E quem é carente demais não ama direito. Felizmente somos reeducáveis. Nunca é tarde para aprender. Nem longe demais a ponto de machucarmos com nossa indiferença, nem perto demais a ponto de lhe tirarmos o direito de escolha. As distâncias do amor, desde que justas e suaves, é que tornam o amor bonito e cheio de perspectivas. Amor demais é amor errado. È o mesmo que remédio certo na dose errada.E quem disse que a medida do amor é amar sem medidas disse apenas um lado da verdade. Posso sentir um amor inesgotável por alguém, mas se o meu jeito de mostrar esse amor incomoda, preciso achar a medida. E isso só se rezando e dialogando. “QUE O JARDINEIRO NÃO SUFOQUE SUAS FLORES”